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SIBO: Sintomas, Causas, Diagnóstico e Tratamento | Nutricionista

27 de ago.
12 min de leitura

Atualizado: há 4 dias


SIBO é a sigla inglesa para Small Intestinal Bacterial Overgrowth, geralmente traduzida como sobrecrescimento bacteriano do intestino delgado.

É um termo utilizado para descrever uma alteração da quantidade e/ou composição dos microrganismos presentes no intestino delgado, associada a sintomas gastrointestinais em determinados contextos clínicos.

Distensão abdominal, gases, alterações do trânsito intestinal e desconforto abdominal estão entre as manifestações mais frequentemente associadas ao SIBO. No entanto, estes sintomas são comuns e podem ter muitas outras causas. Por isso, ter inchaço ou gases não significa automaticamente ter SIBO.


O diagnóstico e tratamento do SIBO continuam a ser áreas com alguma controvérsia na medicina. Os testes respiratórios são utilizados na prática clínica, mas apresentam limitações, e o resultado deve ser interpretado em conjunto com a história clínica e os sintomas.



Neste artigo explico:

  • o que é SIBO;

  • quais são os sintomas mais comuns;

  • quais os fatores que podem favorecer o seu aparecimento;

  • qual a diferença entre SIBO e IMO;

  • como funciona o teste respiratório;

  • quais são as opções de tratamento;

  • qual o papel da alimentação;

  • porque o problema pode voltar;

  • e como uma abordagem nutricional individualizada pode complementar o acompanhamento médico.


O que é SIBO?

O SIBO corresponde à presença de um número excessivo de bactérias no intestino delgado, onde a quantidade de microrganismos é normalmente muito inferior à existente no cólon.

O intestino delgado dispõe de vários mecanismos que ajudam a controlar a população microbiana, incluindo:

  • motilidade intestinal;

  • secreções digestivas;

  • ácido gástrico;

  • válvula ileocecal;

  • integridade da mucosa;

  • mecanismos imunitários.

Quando um ou mais destes mecanismos estão comprometidos, pode criar-se um ambiente favorável à alteração da população microbiana do intestino delgado.

O SIBO é, portanto, frequentemente associado a uma condição subjacente que favorece o sobrecrescimento, e não deve ser encarado apenas como um problema de “bactérias a mais”.

A identificação dessa condição subjacente é uma parte importante do tratamento.


SIBO ou IMO? Qual é a diferença?

Esta distinção é particularmente importante.

Durante muito tempo, qualquer resultado positivo para metano no teste respiratório foi descrito como “SIBO de metano”.

Atualmente, é mais rigoroso utilizar o termo IMO — intestinal methanogen overgrowth, ou sobrecrescimento de metanogénios intestinais.

Os metanogénios não são bactérias. São arqueias, microrganismos diferentes das bactérias.

O excesso de metano está fortemente associado a trânsito intestinal mais lento e obstipação.


Por isso:

SIBO com produção predominante de hidrogénio

Pode estar associado a:

  • distensão abdominal;

  • gases;

  • desconforto abdominal;

  • diarreia ou trânsito mais rápido.


IMO com produção predominante de metano

É particularmente associado a:

  • obstipação;

  • trânsito intestinal lento;

  • distensão abdominal;

  • sensação de evacuação incompleta.


É importante não interpretar estas associações como um diagnóstico baseado apenas nos sintomas. A confirmação depende da avaliação clínica e, quando indicado, de testes apropriados.


E o sulfureto de hidrogénio?

O sulfureto de hidrogénio é outro gás produzido pelo metabolismo microbiano intestinal e está a ser cada vez mais estudado no contexto dos sintomas gastrointestinais.

No entanto, a avaliação clínica do chamado “SIBO de sulfureto de hidrogénio” ainda é menos estabelecida do que a avaliação de hidrogénio e metano.

Por isso, não recomendaria apresentar este subtipo como se tivesse o mesmo nível de validação clínica.


Quais são os sintomas do SIBO?

Os sintomas mais frequentemente associados ao SIBO são gastrointestinais.

Podem incluir:

  • distensão abdominal;

  • sensação de inchaço;

  • gases;

  • dor ou desconforto abdominal;

  • diarreia;

  • obstipação;

  • alteração do padrão habitual das fezes;

  • sensação de digestão difícil.

Em casos mais graves ou quando existe má absorção associada, podem surgir défices nutricionais.

Mas existe uma questão importante:

nenhum destes sintomas é específico do SIBO.

Distensão abdominal, por exemplo, é extremamente comum na síndrome do intestino irritável, obstipação, intolerâncias alimentares, alterações da motilidade e várias outras condições.

Por isso, o diagnóstico não deve ser feito através de uma lista de sintomas encontrada na internet.


SIBO pode causar fadiga ou névoa mental?

Esta é uma questão frequente em consulta.

Algumas pessoas com problemas gastrointestinais associados a SIBO relatam fadiga, dificuldade de concentração ou sensação de “brain fog”.

No entanto, a evidência é muito menos sólida para considerar fadiga ou névoa mental como sintomas específicos de SIBO.

Em determinadas situações, podem existir fatores indiretos que contribuem para fadiga, como:

  • alimentação insuficiente;

  • alterações do sono;

  • défices nutricionais;

  • doença gastrointestinal subjacente;

  • dor crónica;

  • stress;

  • ansiedade;

  • outras condições médicas.

Por isso, quando uma pessoa apresenta fadiga persistente, é importante não atribuí-la automaticamente ao SIBO.

O que causa SIBO?


O SIBO pode estar associado a várias condições que alteram os mecanismos normais de defesa do intestino delgado.

Entre os fatores mais relevantes encontram-se:


1. Alterações da motilidade intestinal

A motilidade ajuda a transportar o conteúdo intestinal ao longo do tubo digestivo.

Quando o trânsito do intestino delgado está comprometido, pode existir maior oportunidade para acumulação e crescimento microbiano.

Alterações da motilidade podem estar associadas a:

  • doenças neuromusculares;

  • diabetes com neuropatia autonómica;

  • algumas doenças sistémicas;

  • alterações pós-cirúrgicas;

  • determinadas condições gastrointestinais.

A investigação da causa da alteração da motilidade é particularmente importante nos casos recorrentes.


2. Cirurgias ou alterações anatómicas

Alterações estruturais do trato gastrointestinal podem favorecer o desenvolvimento de SIBO.

Exemplos incluem:

  • algumas cirurgias abdominais;

  • aderências;

  • estenoses;

  • divertículos do intestino delgado;

  • alterações anatómicas que favoreçam estase intestinal.

Nestes casos, simplesmente tentar reduzir as bactérias sem abordar o fator anatómico pode não resolver o problema a longo prazo.


3. Doenças que afetam a motilidade

Algumas doenças podem alterar o movimento normal do intestino.

Entre os exemplos estudados encontram-se:

  • diabetes;

  • esclerodermia;

  • doença celíaca;

  • doença de Crohn;

  • algumas neuropatias;

  • outras perturbações da motilidade.

A presença de SIBO pode, portanto, ser consequência de outra condição que precisa de ser identificada e tratada.


4. Alterações da secreção gástrica

O ácido gástrico constitui uma das barreiras naturais contra a sobrevivência de determinados microrganismos ingeridos.

Medicamentos como os inibidores da bomba de protões (IBP) podem alterar a secreção de ácido gástrico.

Existe associação entre utilização de supressores de ácido e SIBO em alguns estudos, embora isto não signifique que todas as pessoas que tomam um IBP desenvolvam SIBO.

Um medicamento prescrito não deve ser interrompido por iniciativa própria.


5. Episódios prévios de gastroenterite

Existe investigação sobre a relação entre infeções gastrointestinais anteriores e alterações persistentes da função intestinal.

Uma gastroenterite pode, em algumas pessoas, ser seguida pelo desenvolvimento de sintomas gastrointestinais persistentes.

A investigação sobre mecanismos pós-infeciosos, incluindo alterações da motilidade e da resposta imunitária, é particularmente relevante neste contexto.

No entanto, não é correto afirmar que uma gastroenterite provoca SIBO de forma inevitável.


O stress causa SIBO?

O eixo intestino-cérebro tem uma influência importante sobre a motilidade, sensibilidade visceral e funcionamento gastrointestinal.

O stress pode agravar sintomas digestivos e pode influenciar a motilidade intestinal.

Por isso, gestão do stress, sono e regulação do sistema nervoso podem fazer parte de uma abordagem global ao tratamento.

Mas evitaria a afirmação de que o stress, por si só, “cria SIBO”.

O desenvolvimento de SIBO é multifatorial e a evidência atual não permite reduzir a sua causa a stress psicológico.

Como se diagnostica SIBO?

O diagnóstico de SIBO pode ser desafiante.

Na prática clínica, os testes respiratórios com glicose ou lactulose são utilizados como métodos não invasivos para avaliar a produção de hidrogénio e metano após ingestão de um substrato. As guidelines do American College of Gastroenterology sugerem estes testes em determinados pacientes sintomáticos, embora a qualidade da evidência seja limitada.


Teste respiratório com glicose

A glicose é rapidamente absorvida no intestino delgado.

Se ocorrer produção significativa de hidrogénio ou metano antes de a glicose ser absorvida, isso pode fornecer evidência indireta de atividade microbiana no intestino delgado.

Uma das limitações é que a glicose pode não alcançar as regiões mais distais do intestino delgado.


Teste respiratório com lactulose

A lactulose não é absorvida no intestino delgado da mesma forma que a glicose.

O padrão temporal de produção de hidrogénio e metano pode fornecer informação indireta sobre a fermentação ao longo do trato gastrointestinal.

Mas existe uma limitação importante:

o teste com lactulose pode produzir resultados falsamente positivos, particularmente quando o trânsito intestinal é rápido.

Por isso, não é correto dizer que o teste de lactulose “avalia todo o intestino delgado” ou que é automaticamente superior ao teste com glicose.

A escolha do teste deve depender do contexto clínico.


Um teste respiratório positivo significa que tenho SIBO?

Não necessariamente.

Os testes respiratórios têm limitações de sensibilidade e especificidade.

Podem existir:

  • falsos positivos;

  • falsos negativos;

  • influência da velocidade do trânsito intestinal;

  • diferenças entre protocolos laboratoriais;

  • dificuldades na interpretação dos gases produzidos.


É por isso que o resultado deve ser interpretado juntamente com:

  • sintomas;

  • história clínica;

  • fatores de risco;

  • medicação;

  • antecedentes cirúrgicos;

  • padrão intestinal.

A American Gastroenterological Association chama precisamente a atenção para a falta de uniformidade na definição e diagnóstico de SIBO.


Como se trata o SIBO?

O tratamento depende da causa, dos sintomas e do contexto clínico.

Uma abordagem adequada não deve consistir simplesmente em “matar bactérias”.

O objetivo é:

  1. tratar o sobrecrescimento quando indicado;

  2. identificar fatores que favorecem a sua persistência;

  3. corrigir eventuais défices nutricionais;

  4. melhorar os sintomas;

  5. reduzir o risco de recorrência.

A AGA recomenda que a gestão se concentre na identificação e correção das causas subjacentes, na correção de défices nutricionais quando presentes e, quando apropriado, na utilização de antibióticos.


Antibióticos no tratamento do SIBO

A rifaximina é um dos antibióticos mais estudados no tratamento de SIBO, particularmente em determinados quadros de produção de hidrogénio.

Em situações de metano/IMO, podem ser utilizadas estratégias terapêuticas diferentes e a decisão deve ser médica.

É importante evitar apresentar rifaximina ou qualquer outro antibiótico como uma solução universal.


O tratamento deve ter em consideração:

  • subtipo de gás;

  • causa subjacente;

  • sintomas;

  • comorbilidades;

  • riscos do tratamento;

  • possibilidade de recorrência.


A evidência disponível para as estratégias antibióticas continua a ter limitações, e a AGA salienta que os esquemas terapêuticos são, em grande parte, baseados em evidência limitada e experiência clínica.


E os antimicrobianos de origem vegetal?

Este é um ponto em que é importante separar evidência preliminar de evidência clínica robusta.

Existe um estudo observacional de 2014 que comparou uma preparação de ervas com rifaximina em pessoas com teste respiratório positivo. O estudo encontrou resultados semelhantes entre os grupos, mas teve limitações importantes, incluindo desenho não randomizado e uma amostra relativamente pequena no grupo tratado com ervas. Os próprios autores concluíram que eram necessários estudos prospetivos adicionais.

Por isso, não recomendaria escrever que:

“os antimicrobianos vegetais têm eficácia equivalente à rifaximina.”

É uma afirmação demasiado forte para a evidência disponível.

Pode dizer-se que existem estudos preliminares sobre determinadas preparações botânicas, mas a evidência ainda não é suficiente para as considerar equivalentes aos tratamentos médicos estabelecidos.

Berberina, óleo de orégãos, alho/alicina e outras plantas possuem compostos biologicamente ativos e podem interagir com medicamentos.

“Natural” não significa automaticamente “seguro”.


A alimentação ajuda a tratar SIBO?

A alimentação pode ser extremamente importante para controlar sintomas, mas é diferente de dizer que uma dieta elimina o SIBO.

Uma estratégia alimentar temporária pode reduzir a quantidade de substrato fermentável disponível para os microrganismos e, consequentemente, diminuir:

  • gases;

  • distensão;

  • desconforto;

  • alterações do trânsito.

A dieta baixa em FODMAP é um exemplo de estratégia utilizada para controlar sintomas gastrointestinais.

Mas uma dieta baixa em FODMAP não deve ser apresentada como cura do SIBO.

Além disso, uma dieta muito restritiva durante períodos prolongados pode limitar a variedade alimentar e dificultar uma alimentação nutricionalmente adequada.

O objetivo deve ser encontrar a menor restrição necessária para controlar sintomas e, posteriormente, trabalhar a reintrodução e diversificação alimentar quando apropriado.


O SIBO pode causar défices nutricionais?

Em casos mais significativos, especialmente quando existe má absorção associada, podem surgir défices nutricionais.

A AGA refere alterações laboratoriais que podem incluir défice de vitamina B12 e outras carências nutricionais em determinados casos.

A avaliação pode incluir, dependendo do contexto:

  • vitamina B12;

  • ferro e ferritina;

  • folato;

  • vitamina D;

  • outros marcadores nutricionais quando clinicamente indicados.

Não é necessário assumir que todas as pessoas com SIBO têm múltiplos défices.

A avaliação deve ser individualizada.


Porque é que o SIBO pode voltar?

A recorrência é um dos desafios do SIBO.

Uma explicação possível é que o tratamento inicial reduza o sobrecrescimento, mas não corrija o fator que o favoreceu.

Por exemplo:

alteração da motilidade → estase intestinal → maior oportunidade para sobrecrescimento → tratamento → melhoria → persistência da causa → possível recorrência.

Por isso, nos casos recorrentes, é particularmente importante investigar:

  • motilidade;

  • obstipação;

  • alterações anatómicas;

  • doenças subjacentes;

  • medicamentos;

  • outras condições gastrointestinais.

A AGA recomenda precisamente que o tratamento procure identificar e corrigir as causas subjacentes.


E os procinéticos?

Os procinéticos são medicamentos ou substâncias que podem aumentar determinados aspetos da motilidade gastrointestinal.

Podem ter um papel em casos selecionados, particularmente quando existe uma perturbação da motilidade.

No entanto, não apresentaria gengibre, 5-HTP ou LDN como “o tratamento que falta” no SIBO.

A evidência para estas intervenções é muito diferente da evidência disponível para medicamentos procinéticos específicos.

Além disso:

  • 5-HTP pode interagir com medicamentos serotoninérgicos;

  • naltrexona é um medicamento sujeito a prescrição;

  • suplementos podem ter efeitos adversos e contraindicações.

Qualquer intervenção deste tipo deve ser individualizada e, quando aplicável, articulada com o médico.


A minha abordagem nutricional ao SIBO

Na consulta, a nutrição não deve tentar substituir o diagnóstico ou tratamento médico.

O papel da nutricionista pode ser complementar, ajudando a:


1. Organizar a história clínica

Avaliar:

  • sintomas;

  • padrão das refeições;

  • trânsito intestinal;

  • tolerâncias alimentares;

  • antecedentes de gastroenterite;

  • cirurgias;

  • medicação;

  • alimentação;

  • sono;

  • stress;

  • alterações de peso.


2. Rever os exames disponíveis

Quando existe diagnóstico ou investigação médica em curso, os resultados podem ser integrados na avaliação nutricional.


3. Identificar défices nutricionais

Quando existem análises que demonstram carências, a alimentação e suplementação podem ser adaptadas às necessidades individuais.


4. Controlar os sintomas através da alimentação

A estratégia pode incluir uma redução temporária de determinados alimentos fermentáveis quando necessário.

O objetivo não é criar uma dieta permanentemente restritiva.


5. Trabalhar a diversificação alimentar

À medida que os sintomas permitem, a estratégia deve procurar recuperar variedade e adequação nutricional.


6. Trabalhar fatores de estilo de vida

Sono, atividade física, horários das refeições e gestão do stress podem fazer parte de uma abordagem global à saúde gastrointestinal.


Quando deve procurar avaliação médica?

Nem toda a distensão abdominal é SIBO.

É especialmente importante procurar avaliação médica quando existem sinais de alarme, como:

  • sangue nas fezes;

  • perda de peso inexplicada;

  • anemia;

  • febre;

  • vómitos persistentes;

  • dor abdominal intensa;

  • dificuldade progressiva em engolir;

  • sintomas que acordam regularmente durante a noite;

  • alteração intestinal persistente e inexplicada;

  • história familiar relevante de cancro gastrointestinal ou doença inflamatória intestinal.


O objetivo é garantir que condições que necessitam de investigação médica não são atribuídas simplesmente a “disbiose” ou SIBO.


Perguntas frequentes sobre SIBO


Quais são os sintomas mais comuns de SIBO?

Os sintomas mais frequentemente associados são distensão abdominal, gases, desconforto abdominal e alterações do trânsito intestinal, incluindo diarreia ou obstipação. Estes sintomas não são específicos de SIBO e podem ocorrer em muitas outras condições.


SIBO e IMO são a mesma coisa?

Não exatamente.

SIBO refere-se a sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado.

IMO refere-se a sobrecrescimento de microrganismos produtores de metano, que são arqueias e não bactérias. O metano está particularmente associado a obstipação e trânsito intestinal lento.


Qual é o melhor teste para SIBO?

Os testes respiratórios com glicose ou lactulose são os métodos não invasivos mais utilizados. Ambos têm limitações, pelo que nenhum deve ser interpretado isoladamente.


O teste de lactulose é melhor do que o teste de glicose?

Não existe uma resposta universal.

A glicose e a lactulose têm características diferentes e podem apresentar limitações diferentes. A escolha deve depender do contexto clínico e do protocolo utilizado pelo laboratório.


A dieta baixa em FODMAP cura SIBO?

Não.

Pode reduzir a fermentação e melhorar sintomas, mas não deve ser considerada um tratamento de erradicação do SIBO.

Além disso, uma dieta muito restritiva durante demasiado tempo pode comprometer a variedade alimentar.


SIBO causa aumento de peso?

A relação entre metano e peso corporal tem sido investigada, mas não é correto afirmar que SIBO seja uma causa direta de aumento de peso ou que explique uma dificuldade em emagrecer.

O peso corporal é influenciado por múltiplos fatores metabólicos, comportamentais, hormonais e ambientais.


SIBO causa fadiga?

Algumas pessoas com problemas gastrointestinais relatam fadiga, mas a fadiga não é específica de SIBO.

Quando é persistente, deve ser investigada noutras dimensões, incluindo sono, alimentação, défices nutricionais, saúde mental e outras condições médicas.


Existem tratamentos naturais para SIBO?

Existem estudos sobre determinadas preparações botânicas, mas a evidência é ainda limitada quando comparada com a base científica dos tratamentos médicos.

Um estudo de 2014 encontrou resultados semelhantes entre uma preparação de ervas e rifaximina, mas não foi um ensaio clínico randomizado e os próprios autores recomendaram estudos adicionais.


O SIBO volta depois do tratamento?

Pode voltar, sobretudo quando permanece a condição que favoreceu o seu desenvolvimento.

Por isso, uma abordagem adequada deve procurar identificar e, quando possível, corrigir os fatores subjacentes.


SIBO: menos restrição, mais precisão

O SIBO é um tema complexo e ainda em evolução.

O objetivo de uma abordagem nutricional não deve ser transformar todos os sintomas digestivos num diagnóstico de SIBO, nem manter uma pessoa indefinidamente numa dieta restritiva.

O objetivo é perceber se SIBO é realmente uma hipótese relevante, quais os fatores que podem estar a contribuir para os sintomas e como construir uma alimentação adequada ao quadro clínico individual.

Quando existe diagnóstico médico ou suspeita fundamentada, a intervenção nutricional pode ajudar a controlar sintomas, manter uma alimentação nutricionalmente adequada, identificar possíveis carências e apoiar a recuperação da variedade alimentar.


Acompanhamento nutricional para SIBO

Rita acompanha pacientes online e presencialmente, incluindo pacientes internacionais, através de uma abordagem individualizada à saúde intestinal.

Em consulta, a avaliação considera os sintomas, historial clínico, alimentação, medicação, exames disponíveis e objetivos individuais.

O objetivo não é aplicar um protocolo de SIBO igual para toda a gente, mas perceber o que está a acontecer no seu caso e qual a intervenção nutricional mais adequada.



Referências científicas

  1. Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. (2020). ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. American Journal of Gastroenterology, 115(2), 165–178.

  2. Quigley EMM, Murray JA, Pimentel M. (2020). AGA Clinical Practice Update on Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Expert Review. Gastroenterology, 159(4), 1526–1532.

  3. Silva BC, et al. (2025). Diagnosis and Treatment of Small Intestinal Bacterial Overgrowth: An Official Position Paper from the Brazilian Federation of Gastroenterology. Arquivos de Gastroenterologia, 62:e24107.

  4. Rezaie A, Buresi M, Lembo A, et al. (2017). Hydrogen and Methane-Based Breath Testing in Gastrointestinal Disorders: The North American Consensus. American Journal of Gastroenterology, 112(5), 775–784.

  5. Chedid V, Dhalla S, Clarke JO, et al. (2014). Herbal Therapy is Equivalent to Rifaximin for the Treatment of Small Intestinal Bacterial Overgrowth. Global Advances in Health and Medicine, 3(3), 16–24.

  6. Lauritano EC, Gabrielli M, Scarpellini E, et al. (2008). Small intestinal bacterial overgrowth recurrence after antibiotic therapy. American Journal of Gastroenterology, 103(8), 2031–2035.


 
 
 

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